Sobre mim: biografia de David Pinheiro

Comecemos pelo princípio:

cropped-David-cafè-millorat.jpgOlá!

Chamo-me David; David Manuel da Silva Mourão Pinheiro, para ser exato. Sou português e vivi durante boa parte da minha vida numa aldeiazita rural no coração de Portugal, a uns 100 km de Lisboa. Chegado o momento parti para Lisboa para continuar os meus estudos e acabei por viver na capital durante 7 anos. Durante esse tempo estudei Musicologia na Universidade Nova de Lisboa e também Canto no Conservatório, formei parte de coros (Coro de Câmara de Lisboa e Coro Gulbenkian) e fundi-me no panorama musical e artístico da cidade. Recordo esta época com muita nostalgia e ternura.

O ano de 2004 deu início a um novo capítulo da minha vida. Aterrei em Barcelona sem conhecer as línguas autóctones nem a história e muito menos os costumes locais, e não me passava pela cabeça até que ponto a decisão de mudar-me a Barcelona acabaria por marcar a minha vida em todas as suas dimensões. O certo, porém, é que descobri novos focos de interesse e, pouco a pouco, foi-se revelando à minha frente um novo projeto de futuro ao qual não pude nem quis renunciar. Isso traz-nos de volta ao presente.

De repente passaram dez anos… e quase nem me apercebi disso! Depois de anos imerso no setor da indústria química e farmacêutica, concretamente no âmbito dos ensaios clínicos com humanos, hoje em dia a minha vida decorre plácida e em boa companhia sob a vigilância atenta do sempiterno Montseny, a cordilheira em forma de ferradura que os romanos batizaram de Mont Signus por assinalar a entrada da Península Ibérica pela Via Augusta. Agora dedico-me exclusivamente à tradução, atividade que me realiza como pessoa e como profissional, e quando não estou em frente ao computador costumo aproveitar para passar tempo com as minhas verdadeiras paixões, a Kina e a Duna, as minhas cadelitas. Quando as vejo jogar, correr atrás uma da outra e interagir connosco, não posso evitar surpreender-me com as suas demonstrações de inteligência e de quão adaptados estão os cães para conviver com os humanos, e com frequência acabo por participar ativamente nesses jogos como se fosse um deles, da mesma forma em que, suponho, atuaria um pai orgulhoso dos filhos que tem.

Kina e Duna
Kina e Duna

No dia 8 de março de 2010 teve lugar um fenómeno insólito: uma intensa nevada, nada habitual nesta zona, cobriu boa parte da costa catalã. Muita gente se lembra deste dia porque a desculpa perfeita para não sair de casa e faltar ao trabalho caiu-lhes, literalmente, do céu. Eu também me lembro deste dia por isso, mas sobretudo porque, como vim a saber depois, nalgum momento do dia uma cadelita branquinha com umas manchas cor de mel e menos de dois meses de idade passeava, não sei com que estado de ânimo mas prefiro pensar que despreocupada e curiosa, por esse manto branco no bairro de Poblenou, em Barcelona, sozinha e sem que ninguém a vigiasse, quando um grupo de crianças deu com ela. Fruto duma dessas maravilhosas cadeias de acontecimentos improváveis, próprios dum guião de cinema, essa cadelita acabou por aterrar aqui em casa, a quilómetros de distância. Por essa data devia ter uns 2 ou 3 meses. Chamámos-lhe «Kina», e nunca mais voltou a estar sozinha nem desamparada. Quando for grande quer ser futebolista, disso não há dúvida, e talento não lhe falta!

A Duna, de pelo mais escuro, nasceu no dia 13 de agosto de 2012 a poucos metros de casa, aqui na aldeia. É filha da cadela de uma vizinha e é a mais pequenita dos seus 8 irmãos. Conhecêmo-la quando tinha apenas 2 semanas de idade e cabia na palma da mão, e vejam-na agora… É muito boa, protetora e brincalhona mas também é teimosa, provavelmente por influência dos seus genes de mastim. Ainda está por saber o que é que ela quer ser quando for grande… Na verdade, parece-me a mim que ela prefere continuar a ser um cachorrito toda a vida…

David Pinheiro, março de 2014